sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Estética ou Ética?


Tenho estudado sobre alguns temas de meu interesse para escrever meu trabalho final da pós graduação, em gestão de produto de moda, e tenho constantemente cruzado com um conceito bem interessante mais que eu ,em minha humilde ignorância, devo admitir um tanto confuso.Tal conceito descrito como “Ética da estética”.
Mais como podemos unir ética, que é algo adquirido, a medida em que evoluímos como seres humanos e somos polidos pela nossa sabedoria e nosso conhecimento lutando contra a ignorância de nossa própria espécie assim nos tronando seres éticos, muito diferente de nossos valores de estética que são meramente reflexos de nossos mais íntimos e inconscientes valores culturais, como nosso preconceitos, instintos e impulsos sexuais e até mesmo nossa negação da auto imagem projetando ou repudiando inconscientemente no outro aquilo que idealizamos em nós mesmos.
Qual seria a ética em acreditar q belo é aquele q possui pele alva e olhos claros, quando a maioria de nossa etnia é constituída de pessoas pardas de pele morena e olhos castanhos?
Quando eu era criança ouvia constantemente as pessoas de minha família (minhas tias e meus avós) me chamarem de feia, pois eu era uma criança parda, gordinha e com o cabelo enrolado (sempre despenteado), uma das minhas tias tem uma historinha, que ela adora repetir até a exaustão, é bem assim “Quando você nasceu você era o bebe mais feio que eu já tinha visto, meu deus que bebe mais feio, você era tão feia que te botei em uma lata de lixo e se seu pai não tivesse te tirado de lá, estaria lá até hoje”, hoje em dia até dou uma risadinha do tipo “tá tá...qual é a próxima”. Mas uma certa vez quando eu tinha 7anos de idade ela resolveu contar essa mesma historinha, só que naquele dia uma prima minha um ano mais nova, branquinha de face rosada e cabelos incrivelmente disciplinados branca estava lá, e logo disse “minha mãe disse que quando eu nasci eu parecia um anjo e ela nunca tinha visto um bebe mais lindo que eu”. Eu sai de perto bem quietinha de cabeça baixa e entrei no chuveiro, esfreguei minha pele com uma daquelas esponjas naturais, super ásperas, até praticamente minha pele sangrar, achava que se me lavasse bem toda aquela ‘sujeira’ iria sair da minha pele e eu ficaria branca como minha prima, e assim eu ia ser bonita.
Com o passar dos anos passei a me olhar de uma maneira diferente e hoje sou consciente de minha beleza, mais isso só aconteceu vários anos mais tarde no ano de 2006 quando fiz uma viajem a Alemanha, era ano de copa do mundo e a Alemanha era o pais sede, então como se pode prever o Brasil estava em alta. Fui no verão daqui e inverno lá, estava bem bronzeada com a pele morena e os cabelos cacheados ,como sempre, soltos e naturais.Costumo falar que todas as mulheres deveriam ter uma experiência como essa, as pessoas me olhavam e reparavam em mim, me achavam linda e me teciam elogios que posso afirmar sem nenhuma falsa modéstia sinceros, não por que eu estivesse mais bonita mais simplesmente por que os padrões estéticos locais estavam receptivos a minha aparência tipicamente brasileira cor forma e volumes tropicais brasileiros. Quando voltei percebi que a maneira das pessoas daquele lugar me olharem tinha passado a ser a maneira como eu mesma passei a me olhar, e assim assumi uma postura mais confiante, o que fez com que as mesmas pessoas de antes me olhassem como uma mulher bonita, e não mais como uma garoinha que se achava suja por ter a pele da cor da terra.
Assim posso afirmar que a ética da estética esta diretamente relacionada não aos padrões mutáveis dos inconstantes seres humanos e suas relações sociais, que refletem seus anseios pelo novo pelo cool ,mais pela nossa própria maneira de olhar e aceitar o valor estético de cada um e principalmente de nós mesmo. A palavra em questão é Auto-confiança.

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