quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Stupid Girl

Nunca mais, nunca mais é tanto tempo. Nunca mais é muito tempo, nunca mais é tanto tempo... Como posso conceber o nunca mais, nunca mais é tanto tempo. Eu nunca mais vou amar ninguém, e nunca mais é tanto tempo. Mas ninguém nunca vai me amar, e nunca é muito mais tempo que nunca mais.
Há alguns anos, mais precisamente no final de dezembro de 2006, um rapaz ao qual eu me relacionava e eu tivemos uma discussão pelo MSN, na qual eu “ouvi” a pior e mais marcante frase de toda minha vida:
EU:_ Eu não confio em você!
ELE:_ Ouvir isso de alguém que eu ame talvez fizesse alguma diferença, mas vindo de você...
EU:_ Eu sei que você não me ama, mas eu amo você!
ELE:_Sabe qual seu problema Lilavathy? É que você é burra! Você é muito burra de achar que algum dia eu iria te amar, eu não te amo, nunca amei e nunca vou te amar, nenhum homem nunca vai te amar. Porque você não é o tipo de mulher que se ama!
 (não no sentido de falta de amor próprio ...no sentido de eu ser descartável e substituível...ele sempre falava que existem mulheres para se amar e ter filhos, casar, etc. e outro tipo de mulher que não serve para nada disso )
Durante muito tempo tentei de várias maneiras acreditar e provar para mim mesma que ele estava errado, mas a vida só me da razões para acreditar que sim, ele estava certo.
Como eu gostaria de ter controle sobre meus sentimentos! É tão injusto, se eu não sou o tipo de mulher que os homens possam amar, porque eu ainda sou o tipo de mulher que se apaixona, que ama? Não quero nunca mais amar, não quero nunca mais me sentir assim, BURRA! Meu, como eu sou burra!
Às vezes é difícil saber o que me apavora mais, o medo de amar ou o medo de não amar mais. Uma filosofa que eu adoro Viviane Mosé disse em um dos seus poemas que a solidão é uma sina e é para sempre, nesse mesmo poema ela fala sobre a falta que o amor faz, e de sentir inveja das pessoas que o tem, até mesmo das brigas, as crianças barulhentas, ou seja, de toda a imperfeição do amor da “vida real”.
(Vale a pena dar uma lida: http://www.vivianemose.com.br  na parte de acervo de poemas!)
Não é que eu não acredite em amor, esse amor entre dois, amor que se mistura com paixão e sexo. Eu simplesmente não acredito que ele seja algo comum a todos os seres humanos. Vivemos em uma complexa rede social onde a instituição da família é espinha dorsal de todo seu funcionamento, assim tal sentimento é simplesmente super-valorizado .
As pessoas dão um valor muito elevado a ele, tanto é que desde que eu me lembre por gente sou obrigada a engolir histórias sobre amores ideais, contos de fadas e romances literalmente apaixonantes, primeiro as princesas da Disney depois “cidade dos anjos”, em que realmente acreditamos que talvez possa existir um amor tão inimaginável que fará uma criatura celestial desistir de suas dádivas divinas e sua existência imortal só para beijar uma única vez a mulher amada. (Sem comentários...)
Na realidade o que acontece é que não só o amor é real, como tais “príncipes encantados”  também existem. Tem aquele príncipe que é pai de uma das suas amigas e que quando você olha para ele e sua amada esposa pensa “espero que algum dia alguém me trate assim!”, ou o marido da sua irmã que parece que foi feito em uma forma sob-medida exatamente para ela, e que até os defeitos dele foram pensados para complementar os defeitos dela, o príncipe encantado é seu melhor amigo GAY que é simplesmente perfeito, lindo, com um sorriso encantador, inteligente, que te faz rir, que você pode passar horas conversando com ele sem perder o assunto por um minuto sequer, que escreve um blog maravilhoso e faz você se sentir confortável e confiante por estar se expressando de uma maneira tão “clichê” e que não consigo achar qualquer motivo que me faça parar de admirá-lo. Eles são príncipes encantados, e estão por toda a parte, resgatando suas princesas (ou príncipes), o que acontece é que: eu não sou uma princesa em um castelo, sou só uma menina boba em uma torre de vidro, não sou o tipo de mulher que se ama.
Certa vez uma amiga me disse que: “para cada pé cansado existe um sapato velho”, o problema é que mesmo não sendo nenhuma princesa eu não quero nenhum “sapato velho”, eu trabalho muito, estudo, me cuido, cuido do meu cabelo, do meu corpo, da minha riqueza mental, não quero um sapato velho, quero uma sapatilha de dança com o solado desgastado pelo uso, uma sapatilha que me faça sentir tão leve nos rodopios de um baião que é como se meus pés não tocassem o chão, e eu flutuasse levemente por todo o salão, na cadencia de uma sanfona e na batida de uma zabumba e que me fizesse feliz em levar meus pés a exaustão e não descansá-los em um “sapato velho”. Por isso a solidão é minha sina e é para sempre, e continuo com meus pés descalços. E para mim só resta aprender a aceitar o nunca mais, e viver em paz com ele. Nunca mais é tanto tempo, é muito tempo, mas é o tempo necessário para ser feliz?

Um comentário:

  1. Oie Lilavathy, não sei se meu comentário tem relação com seu texto, mas durante a leitura foi este o balãozinho que surgiu na minha cabeça... Lembrei de uma fala do Flávio Gikovate sobre sexo e amor, onde ele explica que sexo se faz, e amor se sente. Sexo é um prazer positivo - pois não depende de uma situação negativa para se sentir; e Amor se sente, e é um prazer negativo pois depende de uma situação negativa para acontecer, ex. sensação de solidão, desamparo ou incompletude. E que todos os nossos problemas emocionais em relacionamentos se originam a partir do momento que confundimos os dois.

    Calhamos de fazer parte de uma geração em fase de transição em termos de relacionamentos.
    Onde as conquistas feministas se consolidam, e os homens não sabem ainda o que fazer para lidar com esta nova mulher. A reação claro é sair correndo, alguns são honestos e antes fugir confessam que não sabem o que fazer com essa nova mulher que se apresenta para ele, maravilhosa e mais competente do que ele mesmo para tudo. Outros simplesmente as agridem e fogem da mesma forma, e continuam tentando encontrar a mulher de 10, 20 anos atrás ... que claro não existe mais.

    Enquanto isso seguimos vivendo, sentindo amor, fazendo sexo, sorrindo, chorando ... rs

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